sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

     O vento balançava as árvores, e em uma delas desprende-se uma folha seca e frágil, o vento a carregava levemente, e seu galho inclinava-se na direção da mesma talvez se despedindo e a olhando pela última vez. Sabe que nada pode fazer, só sabe que a perdeu. Mesmo assim parece preocupado por não saber o destino desse voo involuntário, inclina-se um pouco mais, mas a perdeu de vista.
     O vento tenta confortá-lo e o recolhe ao seu ponto na árvore, e talvez imaginando se aquela folha cairá em lugar seguro, ele se preocupa porque sabe que a missão dela ainda não acabou.
E sem entender essa relação, os galhos novos e com folhas verde escuro procuram entender o porque daquela preocupação, se foi apenas uma folha que caiu e ficaram centenas de outras verdes amareladas e secas. O galho mais antigo sabe porque, e o outro é muito novo e mão perdeu ainda a sua primeira folha, e por isso nem sente e nem sabe o que aquela folha representava.
     E se comparássemos esse galho a nossa árvore da família, também com suas raízes e ramificações, quem seria de nós que visse uma pessoa querida se desprender da gente para seguir outros rumos. quem não procuraria olhar atentamente seu paradeiro, mesmo que fiquem outras assim como ficaram as folhas no galho.
     Aquela que se desprendeu, será sempre lembrada no sentimento de  nascimento, convivência e saudade. As árvores envelhecem e nós também, em uma árvore nova, o vento a enverga, seus galhos varrem o chão, e quando o vento passa ela se ergue e parece ter se divertido com o que aconteceu. Ao lado uma árvore antiga também sofreu com o vendaval, o vento a envergou, quebrou alguns galhos enfraquecidos pela ação do tempo, e quando o vendaval passou, ela já não era a mesma, em sua copa apresentava clarões e galhos quebrados junto ao chão.
E nós, quantas vezes somos abalados pelo vendaval do tempo, e quando jovens, enfrentamos desafios e até rimos deles, mostramos nossa força e nos erguemos.
     Mas depois já não temos a mesma força e vamos perdendo parte de nós, o vento dobra a árvore antiga, e o tempo nos dobra, parece que nos molda a seu estilo. E quando não aceitamos, fica mais doloroso ainda, porque ele não desiste, e as vezes até nos oferece uma trégua, e quando retorna é para decidir. E aí já perdemos algumas pessoas queridas, e também ganhamos outras,assim foi com a árvore, perdeu as folhas secas e ganhou as verdes.
Parece uma ação para manter o equilíbrio, mas a folha que cai o vento leva e a certeza de nunca mais  vê-la, é que deixou o galho muito triste.
     E na nossa árvore da família, com algumas certezas e incertezas, temos uma certeza, que na proporção que o tempo vai nos dobrando temos que sermos resistentes e nos anteciparmos aos possíveis vendavais, e assim tal qual a árvore, procurarmos em nossas raízes o sustentáculo para suportarmos a força do tempo.
Uma folha que cai, é a saudade que fica e se eterniza em nossa árvore da família, que sem distinção entre as verdes ou as secas, ambas sempre serão folhas  de nossa árvore.

     Ass.  Maninho.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

QUANDO O SILÊNCIO GRITA

     Estranho, muito estranho ouvirmos um som que não existe. Acontece que precisamos ouvir o som do silêncio, ele se conseguirmos aprender a ouvi-lo, entenderemos que o silêncio tão forte, que vai nos assustar.
     As inúmeras quantidades de vezes que amizades foram desfeitas, e que perdemos pessoas que poderiam nos fazer felizes, pelo simples costume de querer impor condições, tratando pessoas como se fossem propriedades, e sem ter a menor sensibilidade para respeitar ou entender um momento de descontrole emocional.
     E em quantos momentos já caminhamos lado a lado sem que uma só palavra seja pronunciada, mas dentro de nós, ouvimos os mais variáveis sons. Isso acontece porque, aqueles dois famosos dragões que vivem dentro de nós, vivem em constantes guerras. Enquanto um defende, o outro acusa, precisamos aprender a domar ambos, e deixar que um possa definir o que é melhor, alimente o dragão do bem, e tudo dará certo.
     As palavras são perigosas demais, se não forem pronunciadas com sabedoria, muitas delas ferem e demoram a cicatrizar, e por isso precisamo de cautela, palavras ditas, nem as desculpas conseguem apagar, e pedir desculpas, é atestar que que errou, e existem muitos tipos de erros, alguns deles são irreparáveis. Falar primeiro para depois pensar, esse tem sido motivos para muitos gritos e atritos.
Quando magoamos alguém, e que a vítima nem fala, apenas olha, a sensação já é terrível, auela olhar frio, sem a definição exata, se o sentimento é de ódio, decepção ou tristeza, e a gente pensa: Seria melhor se falasse, a dúvida sobre esse tipo de olhar nos sufoca.
E o pior, ainda não é o olhar. O pior é quando nem olhamos, simplesmente deixamos que o silêncio grite. Esse grito não chega aos nossos ouvidos, vai direto para a nossa consciência, o grito será tão forte, que é capaz de tirar o nosso sono. Nós, o travesseiro e o grito, esse som que chega não pode ser medido, ele é tão forte, que procuramos ouvir uma música, mas nenhuma agrada, porque o som do grito é bem mais forte.
Vamos imaginar o seguinte: Amamos muito a uma pessoa, nos colocamos em segundo plano, para podermos propiciar a quem amamos, todo o amor possível, e é lógico que não esperamos que esse amor acabe, porque temos tanto afeto que pensamos que será por muito e muito tempo.
Mas acontece que acabou, e sem uma explicação que possa justificar, não tem muito o que fazer, aí vem o silêncio e solta o grito, porque? Eu não mereço isso, me doei, amei como ninguém podia amar, e agora? A lembrança, o sofrimento, juntaram-se ao silêncio procurando uma resposta , não encontra.
O silêncio grita, e grita tão forte, que será impossível a consciência não ouvir.
Nada terá um som tão forte quanto o grito do silêncio, e quando esse grito chegar até a consciencia, de nada vai adiantar tampar os ouvidos, o som do grito lhe encontra, para o grito do silêncio, não existe distâncias ou barreiras, nem tente fugir, ou fingir, você vai ouvir com certeza, portanto dispense gritar ou revidar, deixe que o silêncio gritar por você.

Ass.  Maninho.